Dízimo: Ato de Fé

Crédito: MDC4/Diocese de Jundiaí

A Paróquia é, por excelência, uma comunidade de fé, onde todos os seus membros devem zelar pela sua vida espiritual, missionária, caritativa e financeira. Dom José Maria Maimone, diz que: “as pessoas que conhecem e amam a Deus e à sua Igreja, estarão conscientes de que a Igreja somos nós, e por isso somos responsáveis por ela[1]”.

A forma ordinária para o sustento da comunidade é o dízimo. O batizado ao fazer a experiência dizimal, expressa a fé, que o leva a penetrar no mistério do amor de Deus, encharcando a vida com sua graça, que o transforma. Portanto “o dízimo está profundamente relacionado à vivência da fé e a pertença a uma comunidade eclesial[2]”.

Na entrega do dízimo o batizado cultiva e aprofunda sua relação com Deus, e expressa, na gratidão, sua fé e conversão. A experiência de Deus, no dízimo, ajuda a “usar dos bens materiais com liberdade e sem apego[3]”, pois “não podeis servir a Deus e ao dinheiro[4]”.

Pe. Cristovam Iubel, em seu livro Dízimo para o Clero, diz que: “todo cristão tem o direito, e não apenas o dever, a partir da fé que professa, de reconhecer que tudo pertence a Ele, e de que, oferecendo uma determinada quantia, está oferecendo tudo o que é e tem, consciente de sua transitoriedade por aqui, nessa casa provisória”.

Muito mais do que contribuir com a comunidade para que ela seja sustentada, o dízimo é a expressão da entrega a Deus, de tudo aquilo que somos e temos. Neste gesto fazemos a experiência de comunhão com o Deus da vida, manifestando o que São Mateus nos adverte em seu evangelho “onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração[5]”.

Um grande perigo que se corre, é colocar na experiência dizimal, as necessidades materiais da comunidade acima da experiência de fé. Quando isto ocorre, transformamos a comunidade em um “local onde se paga em contrapartida por um produto recebido” (Dom Joel Portela) e nos privamos de uma experiência autêntica com o Deus que tudo provê.

Os Bispos do Brasil ensinam que o dízimo “é um compromisso de fé, pois está relacionado com a experiência de Deus, que, por amor, entregou seu filho por nós e por todo o mundo, para que o mundo seja salvo por Ele (Jo 3,16; Rm 8,32). Pela riqueza deste amor, o Filho se fez pobre para nos enriquecer com sua graça (2Cor 9,9). Nele, que viveu completamente entregue ao Pai e aos irmãos, seus discípulos e discípulas encontram a força e o exemplo para viverem também a oblatividade e a partilha. O dízimo está também relacionado com o amor fraterno, pois manifesta a amizade que circula entre os membros da comunidade. Ele traz à vida cristã os elementos de uma caridade ativa na prática dessa experiência. Alguém só se torna dizimista, porque tem fé em Deus e confia nas suas promessas (Rm 4,18-25 e 2Cor 1, 19-20)[6]”.

Façamos do nosso DÍZIMO uma atitude que brota da fé, manifestando em nosso ser a alegria de ser amado por Deus e poder agradecer este amor no gesto de partilha generosa para com a minha comunidade de fé.

[1] Dom José Maria Maimone, Dízimo: história e testemunhas, 2012, Editora Pão e Vinho, Guarapuava, p. 61.

[2] Documento da CNBB n. 106, O Dízimo na comunidade de fé: orientações e propostas, Edições CNBB, Brasília, n. 28.

[3] Ibidem, n. 29.

[4] Mt 6, 24.

[5] Mt 6,21.

[6] Documento da CNBB n. 106, O Dízimo na comunidade de fé: orientações e propostas, Edições CNBB, Brasília, n. 8.

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